
Acaba de nascer a Academia João Correia, um projeto sem fins lucrativos liderado pelo primeiro português a conquistar medalhas internacionais no atletismo em cadeira de rodas. A iniciativa pretende criar condições de excelência para o treino e a formação dos atletas de hoje e das gerações futuras.
Inspirada no projeto de David Weir, lenda do atletismo adaptado e amigo de João Correia, a Academia será única na Península Ibérica, tendo a sua sede em Santo Tirso, terra natal do atleta, e colocando o município no mapa do desporto mundial.
A Academia conta com a coordenação de Jenny Archer, reconhecida internacionalmente como uma das maiores especialistas no treino de atletas em cadeira de rodas. O projeto aposta na formação de técnicos, em estreita colaboração com a Federação Portuguesa de Atletismo, e na criação de um banco de materiais de apoio aos atletas, que permitirá a cedência de cadeiras de rodas de competição, equipamentos de elevado custo e, por isso, muitas vezes inacessíveis financeiramente aos novos praticantes.
O arranque da Academia será na zona de Oeiras, no Centro de Alto Rendimento de Atletismo “Mário Moniz Pereira” no Jamor, graças ao apoio da Federação Portuguesa de Atletismo. O projeto já tem garantida a presença de dez atletas da nova geração, com destaque para Mamudo Baldé, visto como um dos atletas mundiais com maior potencial e recentemente medalhado nos mundiais de atletismo adaptado, na Índia.
O projeto vai unir a ciência ao atletismo em cadeira de rodas, através da colaboração com instituições de referência, como a Faculdade de Motricidade Humana da Universidade de Lisboa, em equipa com João Correia e a técnica nacional da modalidade.
“Não se trata de um ato de vaidade fundar uma Academia com o meu nome. Trata-se de deixar um legado para as novas gerações de atletas e de lhes facilitar o caminho, para que se concentrem apenas em treinar bem, sem terem que pensar onde vão arranjar fundos para uma cadeira de competição ou tenham que viajar horas em busca de uma pista livre a adequada, como me aconteceu nos últimos 30 anos. Sonho que todos os atletas, de hoje em diante, possam ter as melhores condições”, afirma João Correia. “No recente Mundial, na Índia, já vários atletas competiram pela Academia João Correia, mesmo que esta seja ainda um projeto em desenvolvimento. Mas já saiu do papel. Já estamos a operar, pouco a pouco, no Complexo do Jamor e já temos resultados. Queremos abrir outros polos no país, mas irá depender muito de como a sociedade irá abraçar este projeto”, conclui.
João Correia nasceu em 1983, em Santo Tirso. Aos dois anos, sofreu um acidente que o colocaria numa cadeira de rodas e que acabaria por definir a sua missão de vida. Depois de anos de reabilitação, encontrou no atletismo o seu propósito. Com apenas 16 anos, estreou-se num meeting de atletismo, ficando a meio segundo da participação no Campeonato da Europa.
Em 2003 e em 2005, com a conquista das primeiras medalhas para o atletismo adaptado português, em campeonatos europeus. A nível nacional, tem incontáveis recordes e títulos. Além das participações em Campeonatos da Europa e do Mundo, cumpriu o sonho de se tornar Atleta Paralímpico, com a ida aos Jogos de 2021, no Japão, numa altura em que celebrava vinte anos de carreira.
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