
Luís Represas morreu aos 69 anos, deixando um legado incontornável na música portuguesa. O cantor e compositor destacou-se como vocalista dos Trovante e construiu, ao longo das últimas décadas, uma carreira a solo marcada por inúmeros êxitos e colaborações com alguns dos mais importantes artistas nacionais e internacionais.
O músico lutava contra um cancro do pulmão em fase avançada, doença que já apresentava metástases. Estava referenciado para integrar um ensaio clínico com um tratamento inovador no Hospital de Santa Maria, em Lisboa, através do centro START, especializado em investigação na área da oncologia.
Em março deste ano, Luís Represas voltou a subir aos palcos com os Trovante para uma série de concertos em Lisboa e no Porto, assinalando o aguardado reencontro da histórica banda. Para abril de 2027, tinha já espetáculos marcados nos coliseus das duas cidades, onde pretendia celebrar os seus 50 anos de carreira. As informações sobre as cerimónias fúnebres deverão ser divulgadas em breve.
Nascido em Lisboa, em novembro de 1956, fundou os Trovante em 1976, ao lado de João Gil, João Nuno Represas, Manuel Faria e Artur Costa. O grupo lançou o primeiro álbum, Chão Nosso, em 1977 e, até à sua separação em 1992, tornou-se uma referência da música portuguesa com temas como Saudade, Xácara das Bruxas Dançando, 125 Azul e Perdidamente.
Após o fim da banda, estreou-se a solo com o álbum Represas (1993), que incluiu sucessos como Feiticeira, em dueto com Pablo Milanés, e Fora de Tempo. Seguiram-se vários trabalhos discográficos, entre os quais A Hora do Lobo (1998), Fora de Mão (2003), Olhos nos Olhos (2008) e, mais recentemente, Miragem, lançado em 2024.
Ao longo da sua carreira, colaborou com nomes como Fausto Bordalo Dias, José Afonso, Carlos do Carmo, Bernardo Sassetti, Pablo Milanés, Ivan Lins, Martinho da Vila, Simone, Jorge Palma, Phil Collins, Compay Segundo, Gilberto Gil e Carlinhos Brown, entre muitos outros.
A canção Timor, lançada pelos Trovante em 1990, tornou-se um dos maiores símbolos musicais de apoio à causa timorense. O seu envolvimento nessa luta levou-o a acompanhar o então Presidente da República, Jorge Sampaio, numa visita oficial a Timor-Leste.
Em 2005, foi distinguido pelo Estado Português com a Ordem do Mérito, no grau de Comendador, em reconhecimento pelo seu contributo para a cultura nacional.
Nos últimos anos, Luís Represas era também o rosto do programa “Língua Mãe”, transmitido na CMTV, dedicado à divulgação da música portuguesa.
Com a sua partida, Portugal perde um dos seus mais reconhecidos intérpretes e compositores, cuja obra continuará a marcar gerações.